Um shinigami (deus da morte) deixa cair seu caderno no mundo humano. Um gênio entediado o encontra. E, ao abri-lo, descobre que tem em mãos o poder de matar aquele cujo nome escrever no misterioso achado.Raito Yagami, estudante de 17 anos, decide usar este poder para julgar os criminosos. Não tarda até que a polícia internacional desconfie que haja uma estranha ligação entre as mortes ocorridas. Eis que entra em cena aquele que é considerado o melhor detetive do mundo, conhecido apenas pelo codinome L. E não importa se os que estão sendo assassinados são criminosos. Para L, morte é morte, crime é crime, e o culpado deve ser punido. E por ver ali um grande desafio, resolve aceitar o caso, conhecido como “Caso Kira” (kira = killer = assassino).
Começa então um verdadeiro duelo de gênios entre Raito e L, um tentando provar ao outro quem realmente está do lado da justiça.
Este é o ponto de partida de Death Note, série criada por Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, que rendeu 37 episódios de animação, 12 mangás, 2 filmes live-action e mais um terceiro, dedicado a contar a história do misterioso personagem L.
A série é impregnada de referências religiosas. Desde sua trilha sonora, que inclui canto gregoriano antigo, até cenas que recriam imagens sacras famosas, como a Pietá, de Michelangelo. Uma das mais fortes, talvez, é quando L enxuga os pés de Raito, iluminados por um feixe de luz que entra por uma janela. A cena torna-se uma clara referência ao lava-pés da Bíblia, no caso, Jesus lavando os pés de Judas, aquele que o trairia.
Normalmente L é ligado a referências divinas, enquanto Raito é ligado a referências profanas.
Enquanto Raito é sempre representado pela cor vermelha, L é sempre representado pela cor azul.
Raito é considerado o jovem perfeito: o primeiro colocado entre os estudantes do país, bem educado, boa aparência. E foi corrompido pelo poder em suas mãos, pela ideologia de criar um mundo perfeito, moldado pelo seu julgamento. Ele pode ser comparado à figura do anjo caído, Lúcifer, que se corrompeu com sua perfeição.
L é calmo, comedido, e se comporta de maneira considerada estranha pelas poucas pessoas à sua volta. O seu nome verdadeiro, Lion Lawliet (lê-se low-light), também sugere análise. A “low-light”, a luz amena, é a que todos buscam, a necessária para nos guiar. Lion torna-se uma referência ao Leão de Judá, um dos nomes por qual Deus é conhecido. Ambos são sempre representados como os perfeitos opostos.
Mas há momentos em que as idéias que se formam no decorrer da série são abaladas, e somos levados a repensar. Quem está realmente certo?
Esta dúvida nos é colocada por algumas vezes, principalmente pelo personagem Matsuda, um dos homens que auxiliam L na investigação. “Depois do surgimento de Kira, os crimes no Japão diminuíram consideravelmente. Não é que eu apóie Kira, mas são os fatos”, diz o jovem detetive.
Existem vários outros momentos em que Death Note faz com que paremos para pensar. A série faz, principalmente, com que olhemos dentro de nós mesmos e nos perguntemos: o que faríamos com um Caderno da Morte nas mãos? O mundo seria realmente melhor com a execução sumária de criminosos? E a quem caberia julgá-los?
Com clima dark e toneladas de referências ao sacro e ao profano, Death Note traz uma narrativa interessante, com personagens memoráveis. A animação perfeita carrega a assinatura do estúdio Madhouse (Trigun, Wolf’s Rain), conhecido por fazer em cada episódio animação digna de um especial para o cinema. E o final, como não poderia deixar de ser, é surpreendente e inusitado.
Sem dúvida alguma, Death Note é perfeito para quebrar paradigmas e mostrar que anime e mangá é sim coisa de gente grande.
Camilla Lunas
“Ety”
A série é impregnada de referências religiosas. Desde sua trilha sonora, que inclui canto gregoriano antigo, até cenas que recriam imagens sacras famosas, como a Pietá, de Michelangelo. Uma das mais fortes, talvez, é quando L enxuga os pés de Raito, iluminados por um feixe de luz que entra por uma janela. A cena torna-se uma clara referência ao lava-pés da Bíblia, no caso, Jesus lavando os pés de Judas, aquele que o trairia.
Enquanto Raito é sempre representado pela cor vermelha, L é sempre representado pela cor azul.
Raito é considerado o jovem perfeito: o primeiro colocado entre os estudantes do país, bem educado, boa aparência. E foi corrompido pelo poder em suas mãos, pela ideologia de criar um mundo perfeito, moldado pelo seu julgamento. Ele pode ser comparado à figura do anjo caído, Lúcifer, que se corrompeu com sua perfeição.
L é calmo, comedido, e se comporta de maneira considerada estranha pelas poucas pessoas à sua volta. O seu nome verdadeiro, Lion Lawliet (lê-se low-light), também sugere análise. A “low-light”, a luz amena, é a que todos buscam, a necessária para nos guiar. Lion torna-se uma referência ao Leão de Judá, um dos nomes por qual Deus é conhecido. Ambos são sempre representados como os perfeitos opostos.
Mas há momentos em que as idéias que se formam no decorrer da série são abaladas, e somos levados a repensar. Quem está realmente certo?
Esta dúvida nos é colocada por algumas vezes, principalmente pelo personagem Matsuda, um dos homens que auxiliam L na investigação. “Depois do surgimento de Kira, os crimes no Japão diminuíram consideravelmente. Não é que eu apóie Kira, mas são os fatos”, diz o jovem detetive.
Existem vários outros momentos em que Death Note faz com que paremos para pensar. A série faz, principalmente, com que olhemos dentro de nós mesmos e nos perguntemos: o que faríamos com um Caderno da Morte nas mãos? O mundo seria realmente melhor com a execução sumária de criminosos? E a quem caberia julgá-los?
Com clima dark e toneladas de referências ao sacro e ao profano, Death Note traz uma narrativa interessante, com personagens memoráveis. A animação perfeita carrega a assinatura do estúdio Madhouse (Trigun, Wolf’s Rain), conhecido por fazer em cada episódio animação digna de um especial para o cinema. E o final, como não poderia deixar de ser, é surpreendente e inusitado.
Sem dúvida alguma, Death Note é perfeito para quebrar paradigmas e mostrar que anime e mangá é sim coisa de gente grande.
Camilla Lunas
“Ety”
Imagens: Capa mangá - Divulgação JBC Editora
Diversas - Madhouse Studios
5 comentários:
Perfeito, Ety! Perfeito! Clap, clap, clap, clap!
Nossa!! Eu fiquei achando que tava lendo a Veja!
Caramba, amei, tiaa!!!
*(sem adjetivos)*
Karaiii.....q nem u sorriso verdi ai im cima..XD
parece a veja!!
ksopakopskaopsk
mto bom!!
PUTAQUEPARIVELMENTE FODAAAA
massaaaa
Kami-sama... perfeita a sua análise... vc mandou muito bem!!!! Eu já tinha percebido isso no mangá, e como só agora tõ vendo o anime, vou me ligar nessas cenas. Parabéns!
Um visão que fugiu dos clichês já vistos sobre esse grande animê,digno de todos esses adjetivos.Parabéns pela análise.
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